Tecnologia

    A história da humanidade é feita, em grande parte, da luta permanente entre a "lata" e o "abre-latas". O desenvolvimento de equipamento que permita penetrar as defesas do adversário sem que este penetre as nossas tem sido a grande fonte de avanços cientifico-tecnológicos que eventualmente chegam à sociedade civil.

    Como exemplo simples temos as várias idades (Pedra, Bronze, Ferro) em que as primeiras criações foram armas (quer de caça, quer de defesa/ataque) mas que posteriormente permitiram a criação de utensílios de uso civil melhores.

    Nesta secção tentaremos, de forma muito ligeira, abordar os vários conceitos, formas, tecnologias metalúrgicas, evolução, etc. de armas e armaduras, bem como das armas de cerco que fazem parte da nossa panóplia de equipamento.


Breves noções de Metalurgia

    As várias idades da Humanidade são pontuadas pelos avanços em materiais cada vez mais resistentes, capazes de lidar com os elementos naturais (quer sejam animais, plantas ou rochas) ou outros seres humanos de forma a se poder "domá-los" e assim ter um nível de vida superior. 

    Desde as primeiras lanças com pontas endurecidas a fogo, até às modernas ligas de titânio, o objectivo tem sido sempre o mesmo: criar algo robusto, capaz de auxiliar nas tarefas diárias.

    Há vários volumes de diversos autores sobre arqueo-metalurgia e seria  impensável assumir que estas breves noções que apresentamos estarão formalmente correctas no seu todo. Trata-se da nossa leitura e digestão desses volumes, combinadas com a experiência prática de quem utiliza as armas, veste as armaduras e dispara os engenhos de cerco.

Cobre, bronze e latão.

    O cobre é um metal dúctil, dos primeiros a ser usado pelo Homem. Relativamente facil de minar, de moldar e de fundir, foi rapidamente aproveitado para criar numerosos artefactos de uso diário ou de joalharia. O seu uso militar era limitado.

    Tanto o bronze como o latão são ligas de cobre (cobre - estanho e cobre - zinco respectivamente) com bastantes mais utilizações militares devido a serem mais resistentes e robustas. Desde armas e armaduras a ferramentas, durante várias centenas de anos o bronze dominou o equipamento militar, nomeadamente nas Falanges Gregas.

Ferro e aço

    Apesar de aço ser composto por ferro (o elemento Fe) distingue-se pelo facto de ter uma concentração de 0,2% a 2,2% de carbono, sendo que concentrações superiores, até cerca de 8%, produzem ferro fundido. Apenas no século XIX se começou a fabricar aço em quantidade e qualidade. Antes do séc. XIX apenas algumas zonas produziam aço, uma delas era a Península Ibérica. Para se produzir aço são necessárias altas temperaturas, oxigenação da fornalha e têmpera de forma a que a fase robusta (martensite) seja "fixada". Assim, o pouco aço que era produzido era devido a uma combinação de factores, como elementos de liga, já presentes no minério, fornalhas com formatos que permitiam temperaturas mais altas e, o mais importante de tudo, sorte no desenvolvimento do processo empírico que depois seria transmitido ao longo de gerações. Especialmente antes do início da era cristã, muitos destes processos envolviam rituais que de facto funcionavam, como o enterrar de chapas de metal para que o ferro dúctil fosse corroído para depois as "soldar" numa nova fornalha.

    Tendo em conta estes factores, havia de facto zonas que produziam aço com alguma qualidade, mas a vasta maioria seria quase ferro fundido.

Comparação

    Assim, o que podemos dizer é que todos os materiais ferrosos utilizados hoje em dia, por todos aqueles que fazem recriação histórica, são de qualidade vastamente superior ao disponível na época que se retrata, o que acresce bastante na segurança visto as formas e dimensões serem idênticas mas o material ser muito melhor.

    Ainda mais no caso de se utilizarem aços de alta liga como Cr-Mo, que torna uma espada moderna virtualmente indestrutível e uma armadura bastante mais resistente. Ligas "INOX" não devem nunca ser utilizadas visto a protecção contra a corrosão oferecida ser "paga" pela fragilidade do material, que deixa de ter plasticidade para ter um comportamento meramente elástico até à fractura. Ou seja: deixa de "dobrar" e quando ceder parte.


   


   
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